Ontem, 25 de Agosto, o sistema operacional linux completou 25 anos quando Linus Torvalds, um cientista da computação, decidiu anunciar um novo projeto em uma plataforma online, para criar um sistema livre e aberto.

“Estou criando um sistema operacional (livre)”, disse ele a um grupo de usuários do sistema Minix, insistindo que seu projeto seria apenas um hobby e que não seria nada “grande ou profissional como o GNU”. Na ocasião, ele afirmou que gostaria dos comentários e opiniões sobre o que as pessoas gostavam e desgostavam no Minix “já que meu SO se assemelha bastante em layout físico do sistema de arquivos entre outras coisas”.

De lá para cá, Torvalds ignorou sumariamente a proposta inicial de seu projeto. O Linux se tornou grande, enorme, e altamente profissional, com uma comunidade gigantesca ao redor do mundo pronta para colaborar com a melhoria do ecossistema, com milhares de distribuições diferentes dedicadas a realizar funções distintas.

No entanto, Torvalds não deve receber os créditos de sua criação sozinho, já que a história do sistema começa um pouco antes, em 1969, com a criação do Unix no Bell Labs da empresa americana AT&T. A companhia controlava a sua distribuição e só disponibilizava o software em computadores de alto desempenho.

Em 1984, Richard Stallman começou a criar um clone do Unix chamado GNU (cujo acrônimo significa “GNU is not Unix”). Em 1991, ele e seu grupo já haviam basicamente reescrito todo o Unix, mas ainda não haviam criado o núcleo do sistema operacional, o kernel, a parte fundamental do sistema que faz com que os comandos de hardware sejam traduzidos em algo que o software possa compreender, entre outras funções. Torvalds criou este kernel, que é a base de todos os sistemas baseados em Linux, como é o caso do Android.

Em busca da dominação global

O Linux nunca se tornou a grande potência em PCs que poderia ter sido, com cerca de 1% do mercado global de computadores pessoais, e muito disso se deve às próprias falhas do sistema. O software nunca foi capaz de replicar a simplicidade do Windows e do Mac OS, pelo menos na visão do público comum, normalmente leigo, que sempre viu o Linux como “coisa de hacker”. Mesmo as distros mais simplificadas nunca convenceram.

Mas a falta de popularidade em desktops e laptops é compensada quando lembramos que o Linux é a base do Android, do Google. O sistema operacional móvel é disparado o mais popular do planeta, justamente pelo fato de ser flexível e adaptável a uma gama gigantesca de hardwares, o que faz com que ele esteja disponível em celulares altamente baratos e acessíveis, e também em smartphones de altíssimo desempenho e refinamento estético. O sucesso do Android fez com que ele também começasse a ser portado para outros aparelhos: tablets, relógios, internet das coisas e até mesmo para laptops, como é o caso do Remix OS.

A web também tem muito a agradecer ao Linux, já que de acordo com estudos da W3Techs, 67% dos servidores web são mantidos por sistemas Unix ou similares, e a maioria absoluta é Linux.

Até mesmo a Microsoft, inimiga de longa data do software livre, já se rendeu aos benefícios do Linux, e passou a permiti-lo em seu serviço de computação em nuvem, o Azure. De fato, pelo menos 33% dos clientes da Microsoft utilizam o Linux em vez do Windows no Azure. A própria companhia já chegou a abraçar o Linux para sustentar algumas partes do próprio Azure, e fechou uma parceria com a Canonical (que desenvolve o Ubuntu) para fazer com que fosse mais fácil para os programadores construírem aplicações Linux no Windows, com a implementação do shell Bash.

 

 

Fonte: Olhar Digital

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